Tira o 10
Não é mais novidade saber que o jogador N° 10 da Rua de Baixo não tem habilidade com a bola, já tentou jogar basquete, handebol, vôlei, futebol e nada, nunca saia aquele lance esperado por todos. Ele realmente era "do contra", a única torcida que conseguia agradar era a adversária, que sempre vibrava quando o 10 perdia aquele gol imperdível, aqueles que nem mesmo jogadores meia-baca perderiam se tivessem a oportunidade.
Vendo que a bola não era seu forte, sendo ela manuseada pelas mãos ou pelos pés, decidiu ainda no tempo de escola entrar no time de xadrez, onde não exigia talento com a bola e nem tinha a torcida dando seu grito de guerra mandando tirar o 10.
Decidiu dar um grande passo. Como tinha uma vaga no time para os jogadores regionais não pensou duas vezes, "essa é minha chance de fazer bonito", pensava ele. Mais não deu outra, sua marca registrada era o 10, não tinha jeito, assim que o treinador entregou-lhe a camisa, ele não pôde deixar de reparar, lá estava o 10, mais destacado que nunca. Sempre que entrava na sala, passava apenas alguns minutos, e lá vinha ele, desanimado, com o desgosto e com mais uma derrota pra entrar na seleção. A cada vez que entrava na sala, logo ouvia as reclamações com o treinador:
- Como você coloca um jogador desses para entrar no time?!
- Esse cara ainda não ganhou uma!
- Desse jeito a gente perde!
Cansado das reclamações o treinador decide pegar o primeiro que aparecesse, que soubesse movimentar as peças. Com o apoio do time o 10 foi retirado do torneio, com a desculpa de que tinha adoecido durante o jogo, conseguindo assim realizar sua saída.
Descobriu então que o seu problema não era a bola, mais sim com todos ou pelo menos com a maioria dos esportes.
José Allyson Bertoso de Farias







